sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

sinto o teu perfume sob a garganta do diabo
e sob a tua
sob esse teu pescoço que já não corre as minhas mãos

sinto a tua falta como quem viaja
como quem tem saudade de casa
vontade da cama
do sofá
e até da varanda
com cheiro de chuva e gosto de um
dois três quatro beijos molhados
embebidos em álcool
que disfarça todo aquele afeto

sinto essa sensação enlouquecida
que me maltrata nos sonhos
na minha vida em dois
em transe
e transas
da minha alma
que se esbarra
com a tua

por esbarrar.
como é que volta à rotina
às sete horas da matina
trem
metrô
ônibus
caos de cidade
caos da cidade
maravilhosa
como é tu
quando inventa de me bagunçar
revirar meu estômago
mover meu olhar
que caminha como tu caminha
esquerda direita esquerda

descobri que o meu rio
não é tão bonito
sem teu riso
aos mil e duzentos km
de saudade.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

gosto do gosto que fica
na minha cabeça
memória
que me fadiga
do gosto que escorre durante a mordida
de fruta tropical
durante o beijo
no final

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

receita de família

1o passo: você tem que se podar
2o passo: você tem que se portar
3o passo: você tem que suportar

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

nesta madrugada, em meio a uma conversa mal orientada, me surtiu um sentimento de querer escrever sobre algo que eu nunca me dei um pouco ao prazer do pouso. pensei nuns dias que já são tão distantes, mas que, de tão constantes em meus pensamentos, são igualmente próximos. são estes os dias (e não esses ou aqueles) em que me lembro (embora não haja esforço algum) involuntariamente de como é engraçado o nosso intervalo entre beijos, corpos, rostos, risos. como é engraçado esse tempo, que caminha de dois em dois (anos ou passos, como um controlador insensato prestes a brincar com as horas e dias das nossas vidas). ai... como é engraçado esse tempo ímpar: feito um contrato, mal assinado, que me remonta, desmonta, te encontra.