segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

nesta madrugada, em meio a uma conversa mal orientada, me surtiu um sentimento de querer escrever sobre algo que eu nunca me dei um pouco ao prazer do pouso. pensei nuns dias que já são tão distantes, mas que, de tão constantes em meus pensamentos, são igualmente próximos. estes dias (e não esses ou aqueles). me lembro (embora não haja esforço algum) involuntariamente de como é engraçado o nosso intervalo entre beijos, corpos, rostos, risos. como é engraçado esse tempo, que caminha de dois em dois (anos ou passos, como um controlador insensato prestes a brincar com as horas e dias das nossas vidas). como é engraçado esse tempo ímpar: feito um contrato, mal assinado, que me remonta, desmonta, te encontra.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

me deixa conversar contigo um instante, porque bateu saudade quando uma amiga me contou que contigo no corredor esbarrou em meio a correria dos dias e, na dúvida entre falar e não falar, escolheu mudar a rota, o caminho, olhar pro lado e tentar um disfarce. do jeito que eu faço todo dia quando penso em alguma característica tua por impulso ou força do hábito e me disfarço, distraio, olho pros ipês e finjo, novamente, que é a beleza deles que me chama atenção e não o teu pedaço em cada pétala de flor da árvore que preenche os quintais das nossas segundas casas. 
é que sinto saudade e penso em te telefonar pra cometer a cafonice de ouvir tua voz que é tão melhor dita do que escrita. mas também não sinto um pingo de coragem porque, no final das contas, tu só combina comigo dentro dos meus textos descompassados e da minha cabeça meio tantã.
- a ti junto da minha má possessividade e desculpas

sinto ciúmes
e um poema com estas duas palavras me basta.

ou outras cinco
sinto ciúmes dos teus lábios
ou sete
que beijam
ou oito
outros.


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

é no banho
às oito da noite dum dia
cansado
que eu sou invadida
desnuda
de corpo
alma
vestido e blusa
minhas veias, azuis, salteiam
como numa súplica

do sangue que corre em cada uma delas
do pedido que escorre do chuveiro
dos olhos
da água, que é 70% de mim

penso

em quem já estive no ventre
na dor
viver nunca foi escolha
ou culpa minha