quinta-feira, 15 de março de 2018

arranha a garganta o grito que explode no céu da boca. afoga em soluços contínuos o corpo que não sossega de um lado pra o outro, entre a barbárie e o caos. inconformidade. a falta de esperança percorre as veias da ponta do pé até a cabeça. e chove. chove depois de um dia ensolarado: chove chuva, chove sangue, chove lágrima que cai como as cápsulas em um cenário de covardia, brutalidade, feminicídio, horror. não há desculpas que paguem, não há perspectivas que encorajem. em meio a dor, revolta, mil vozes, corpos, mentes se agarram numa tentativa desesperada de arranhar a garganta com o grito que explode no céu, bem alto: marielle franco, presente!  

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

sinto o teu perfume sob a garganta do diabo
e sob a tua
sob esse teu pescoço que já não corre as minhas mãos

sinto a tua falta como quem viaja
como quem tem saudade de casa
vontade da cama
do sofá
e até da varanda
com cheiro de chuva e gosto de um
dois três quatro beijos molhados
embebidos em álcool
que disfarça todo aquele afeto

sinto essa sensação enlouquecida
que me maltrata nos sonhos
na minha vida em dois
em transe
e transas
da minha alma
que se esbarra
com a tua

por esbarrar.
como é que volta à rotina
às sete horas da matina
trem
metrô
ônibus
caos de cidade
caos da cidade
maravilhosa
como é tu
quando inventa de me bagunçar
revirar meu estômago
mover meu olhar
que caminha como tu caminha
esquerda direita esquerda

descobri que o meu rio
não é tão bonito
sem teu riso
aos mil e duzentos km
de saudade.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

gosto do gosto que fica
na minha cabeça
memória
que me fadiga
do gosto que escorre durante a mordida
de fruta tropical
durante o beijo
no final

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

receita de família

1o passo: você tem que se podar
2o passo: você tem que se portar
3o passo: você tem que suportar