quinta-feira, 9 de novembro de 2017

me deixa conversar contigo um instante, porque bateu saudade quando uma amiga me contou que contigo no corredor esbarrou em meio a correria dos dias e, na dúvida entre falar e não falar, escolheu mudar a rota, o caminho, olhar pro lado e tentar um disfarce. do jeito que eu faço todo dia quando penso em alguma característica tua por impulso ou força do hábito e me disfarço, distraio, olho pros ipês e finjo, novamente, que é a beleza deles que me chama atenção e não o teu pedaço em cada pétala de flor da árvore que preenche os quintais das nossas segundas casas. 
é que sinto saudade e penso em te telefonar pra cometer a cafonice de ouvir tua voz que é tão melhor dita do que escrita. mas também não sinto um pingo de coragem porque, no final das contas, tu só combina comigo dentro dos meus textos descompassados e da minha cabeça meio tantã.
- a ti junto da minha má possessividade e desculpas

sinto ciúmes
e um poema com estas duas palavras me basta.

ou outras cinco
sinto ciúmes dos teus lábios
ou sete
que beijam
ou oito
outros.


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

é no banho
às oito da noite dum dia
cansado
que eu sou invadida
desnuda
de corpo
alma
vestido e blusa
minhas veias, azuis, salteiam
como numa súplica

do sangue que corre em cada uma delas
do pedido que escorre do chuveiro
dos olhos
da água, que é 70% de mim

penso

em quem já estive no ventre
na dor
viver nunca foi escolha
ou culpa minha