sábado, 29 de abril de 2017

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é desesperador o insight que se tem ao perceber que o insignificante é mais do que isso. o sentimento que invade ao descobrir em si a mudança de estados, o espanto ao se ver indo de zero graus ao ponto de ebulição. em minutos. ou três segundos. agora é significante. e eu me pergunto se a escolha arbitrária dessa palavra não foi tão arbitrária assim. se não é só uma questão de ter significância mas também uma de ser apenas a minha impressão psíquica dos fatos. 




quarta-feira, 26 de abril de 2017

me deixo ser invadida pelos teus olhos
cheiro
voz
língua
toque

ando sem sentido
procurando tua silhueta a cada doze minutos
ou passos
sem traços deixados

esbarro em ninguém
em mim
meu próprio pé ou algo assim
e encontro o embaralhar do mundo
que é tua existência desde as pontas dos teus pés
ao último fio de cabelo
no segundo em que te vejo
e torno a minha poesia, crônica
numa tentativa desenfreada de tornar isso real.

domingo, 23 de abril de 2017

toda vez

quando a frigideira chia com a manteiga derretendo;
quando eu grito uma música estúpida na frente de desconhecidos;
quando eu termino de escrever um (longo) trabalho da faculdade;
quando tenho epifanias lendo filmes ou livros;
quando eu bebo um copo de limonada depois de um dia terrível
ou quando chego adiantada achando que fosse me atrasar.
eu me sinto viva
todas. essas. vezes.
e até mais do que nas sextas-feiras.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

te salva de mim, antes q
ue eu me  afogue dentr
o da taça e falta d
e palavras
c
e
c
i
n'est une verre de vin







ceci n'est une poème.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

endemoniados
lábios
mãos
língua
dentes
fendes minhas pernas
e eu viro água
desde o ventre.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

às três e pouca, no sereno da madrugada, naquele terraço da casa dos teus amigos. sob a neblina de fumaça dos teus cigarros misturada ao frio incomum do rio. te olho sem olhar, desviando meus olhos dos seus, e solto:
—há possibilidades altas... altíssimas, talvez... de eu estar viciada em você —digo em meio a dois goles de uma batida péssima com sabor de câncer e aroma de abacaxi
você ri, constrangida, e se faz mais uma vez de convencida:
—pode continuar viciada que eu deixo.
não sei exatamente o porquê, mas nesse momento eu percebo que gostaria de passar ali o resto do mês de abril. sem grandes outros desejos ou beijos.

terça-feira, 4 de abril de 2017

[desconforto]
des+conforto.
é o que sinto
minha mente ferve
o s p e n s a m e n t

                       toda vez que olho pra trás só vejo minha autossabotagem
incapaz de (re)formular uma frase
tudo vai ficar bem
repito como um mantra.